KAMILLA NUNES

O mais profundo é a pele, 2021
Serigrafia, tinta acrílica e nanquim sobre papel Heritage 300g, 100% algodão. 
29,5 x 41 cm 

 

 

O título destes desenhos é, talvez, a frase mais comum e conhecida de Paul Valéry, muito embora não seja, nem de longe, a mais superficial. O que proponho aqui é um mergulho, ou um respiro, através do toque, da fricção, do encontro. Estes são abraços de pessoas que passaram juntas o período de isolamento social, e que portam em seus rostos máscaras que cobrem toda a superfície das suas peles: os olhos, o nariz, a boca. Portam, também, a esperança, ou o que ela já foi um dia. Abraços que surgem, ou desaparecem, em retângulos pretos, e que flutuam, eles também, na superfície branca do papel. Nos resta a pele, a profundidade do silêncio, a memória do toque.