KAMILLA NUNES

História, 2019

Bordado sobre algodão cru por Silvia Zanatta Da Ros, 74 x 110 cm

 

Um bordado de caráter destrutivo. Talvez seja mellhor definição desse trabalho, criado a partir da pesquisa realizada para o livro “Escovar a história a contrapelo”, organizado em parceria com a pesquisadora Aline Natureza. A história que a história não conta” – diz o samba-enredo da Mangueira para o carnaval de 2019. Mas que carnaval? Qual alegoria? A “tradição dos oprimidos nos ensina que o ‘estado de exceção’ em que vivemos é na verdade regra geral. Precisamos construir um conceito de história que corresponda a essa verdade. Nesse momento, perceberemos que nossa tarefa é originar um verdadeiro estado de exceção; com isso, nossa posição ficará mais forte na luta contra o fascismo”, disse Walter Benjamin nas suas Teses sobre o Conceito de História, e escovar a história a contrapelo foi a maneira que encontramos de não sucumbir à raiva, à desesperança, ao medo. Nosso esforço foi reunir vozes, por vezes dissonantes, criando uma comunidade de afetos e de força como forma de proteção,  já que nem os mortos estarão em segurança se o inimigo vencer.