KAMILLA NUNES

A casa era uma ilha ancorada pela paisagem

O mais profundo é a pele

À pele, ao fundo

Angústia

Claustrofobia

O PESSOAL É POLÍTICO / O POLÍTICO É PESSOAL

 

Camisa de força para tempos de ódio

Mesa de rua

Quando tudo isso acabar 

TEMPO PERIGOSO

- HOJE FICAMOS POR AQUI

ESCAPE

Vidraça

Deu no jornal

Frases de corte

Exercícios de desenho para tempos de urgência

NÓS

AR

Varredura

Crises

ÁREA LIMITAR

S Ó S

História

Desenho, escrita manuscrita, pintura, escultura, peças gráficas, datilografia, aquarela e baixo relevo são alguns dos processos/meios/técnicas utilizados para a criação dos objetos, múltiplos, instalações, coleções e exercícios aqui apresentados.  Proponho uma fricção entre sistemas de linguagens: escritas que são desenhos, pedras que são textos, textos para ver, imagens para ler, letras para fora da página, páginas  para fora dos livros. Assim como a artista Kay Rosen, entendo que meus trabalhos operam como uma “linguagem encontrada”, uma tentativa ininterrupta de revelar algo sobre a estrutura da linguagem para, quem sabe, aprender um pouco sobre a estrutura da política, da sociedade, do corpo e da arte.

 

A pesquisa está sustentada em dois pilares fundamentais, o visual e o verbal. São textos / obras que lidam com espécies de escritas, espécies de leituras e espécies de escuta como maneiras de trazer ao mundo outras possibilidades de lidar com a arte e a realidade que nos circunda, nos atravessa e nos estapeia todos os dias. É importante considerar que a leitura é compreendida como um gesto fundamental no meu trabalho.

 

 

 

 

De certa forma, estes trabalhos estão sendo formulados a partir de processos críticos e empíricos, que falam sobre o modo como lidamos com nosso entorno, sobre o quanto o pessoal se tornou político, e o político, pessoal. São também tentativas de circunscrever corpos e lugares, pessoas e afetos, questões público-privadas, lutas e escrituras. Trabalhos como Frases de corte lidam com experiências pessoais, íntimas e solitárias. O que surpreende é o quanto elas nos fazem refletir sobre aspectos sociais, que dizem respeito à coletividade, a uma cosmovisão. O que apresento, então, são trabalhos / textos que operam pelas bordas, que condensam momentos decisivos e transitivos num embate que se dá em nome de nossa própria existência.

 

A borda, aqui, é entendida como algo que está dentro e fora, que não é o limite, mas onde é o limite. A borda é a borra, o informe e o vestígio. Proponho, assim, discutir nossas realidades a partir da compreensão de que a realidade é marginal, de que AGORA é ruína, de que a crise de si é crescente e, sobretudo, de que precisamos, como nos diz TIQQUN, recomeçar, “sair da suspensão. Restabelecer o contato entre nossos devires. Partir, de novo, dali onde estamos, agora”.