QUANDO

TUDO

ISSO

ACABAR

11 de março a 10 de abril

Helena Fretta Galeria de Arte

 

Eu sou uma sala de espera para os meus companheiros, se vierem _______*

Aline Natureza

 

 

 

A televisão ligada o dia inteiro não dá conta das perdas que se acumulam, como se as horas fossem marcadas por uma ampulheta com o fundo quebrado, com areia que nunca se esgota e escorre não se sabe para onde.

Nos instantâneos de Quando tudo isso acabar, Kamilla Nunes tenta fixar – em tinta e água – o acúmulo destes dias desassossegados, opera como testemunha de uma época de indefinições e suspensões, questionando e apontando o contínuo confronto entre privado e público, revelando fragilidades e rupturas sociais. A comunidade se dissipou a ponto de perder o comum, o laço, e tudo passou a ser espera e escape:

: Não na temporalidade da história, mas na temporalidade dos seus afectos, nas formas que revelam, nos pensamentos que sublevam, no rasto do fulgor que deixam no sentido que interrogam.1

Nestes tempos perigosos, como alertam as bandeiras cravadas em base firme e porosa – como a pele, que resiste aos dias, mas cede ao toque nos dedos –, propõe um mergulho ao que se conhece, mas não se alcança o fundo porque tudo é contingente:

: a casa, o oceano, a pele, o espaço – Esta casa não tem lá fora.2

E o tempo aqui é conjugado como no conceito de durée, de Bergson, em uma relação entre interior e exterior, entre real e representação, em linhas mutáveis, rasuráveis, apagáveis. Ao jogar com o tempo, a artista traz as linhas convulsas de Ana Cristina Cesar, em um horizonte que surge tão fixo quanto âncoras no espaço:

: É sempre um pouco tarde3 ou

: Nada foi, tudo está sendo4

 

Em Quando tudo isso acabar, Kamilla Nunes segue buscando gerir um tempo que é simultâneo e que nunca vai acontecer senão no quase.

 

 

*A frase do título é da escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol, no livro “Uma data em cada mão - Livro de horas I”, publicado pela Assírio & Alvim, em Lisboa, 2009.

1. Maria Gabriela Llansol, em “A restante vida”

2. Belchior, em “Aguapé”

3. Ana Cristina Cesar, em “Aos teus pés”

4. Maria Gabriela Llansol, em “Finita”

Catálogo
QUANDO TUDO ISSO ACABAR

 

Realização | Helena Fretta Galeria de Arte 
Textos | Helena Becke M Fretta,Aline Natureza, 
Sandra Meyer, Debora Pazetto e 
Gabi Bresola e Kamilla Nunes
Projeto Gráfico | Kamilla Nunes
Revisão | Aline Natureza

 

O catálogo possui 64p em papel OffSet. 

 

Valor: 35,00 (frete incluído)

PIX | E-mail: nunes.kll@gmail.com 

 

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Kamilla Nunes é artista, curadora independente e crítica de arte, mestre e doutoranda no Programa de Pós-Graduação do Ceart/Udesc, graduada em Artes Plásticas pela mesma universidade [2010]. É editora da CAIS Editora e curadora do Memorial Meyer Filho [2008-]. Foi gestora do Espaço Embarcação, em Florianópolis [2015-2018]. Foi curadora do Espaço Cultural O Sítio [2015] e diretora do Instituto Meyer Filho [2010 a 2014]. Foi integrante do grupo de curadoria de Frestas Trienal de Artes [SESC, 2014, Sorocaba] e realizou a curadoria da exposição “Sumidouro” [Laboratório Curatorial da SPArte, coordenado por Adriano Pedrosa, SP, 2012]. É autora do livro “Espaços autônomos de arte contemporânea”, lançado em 2013 através da Bolsa Funarte de estímulo à produção crítica. Atualmente pesquisa e ministra aulas sobre Arte Brasileira Contemporânea e está desenvolvendo um processo de criação que fricciona campos do conhecimento, como a psicanálise e o materialismo histórico, por exemplo. Interessa perceber como os sistemas de linguagens se revelam, quais relações existem, hoje, entre o indivíduo e o coletivo, entre o pessoal e o político. Representada pela Helena Fretta Galeria de Arte.

 

 

https://www.helenafretta.com.br/

 

Entrevista realizada em 12 de julho de 2020 para o canal 1 curadorx, 1 hora, organizado por Raphael Fonseca